
Eram apenas uma meia dúzia de bacelos colhidos furtivamente numa leira da Quinta Encostas da Vale. Bem escondidos no fundo duma mala,atravessaram o Atlântico sem serem. Longe se vão os tempos em que as rústicas cepas americanas serviram para replantar os socalcos do Douro e dar novo viço aos parreirais depois da passsagem da filoxera por estas plagas. E não é que,de bom grado, depois da tormentosa travessia por "ares nunca dantes voados" aceitaram, repousarem num pacato pomar de das serranias de Minas Gerais?
Gira o tempo,gira a vida e as frágeis gavinhas lá se foram empoleirando pela modesta parreira acima que, na falta dos altos choupos dos lameiros de Folgoso lhes serviu de amparo.
Hoje,robustas, no explendor dos seus vinte e tantos anos presenteiam-nos com seus rubros cachos que tornam mais doces nossos natais nos trópicos.
E os tornam doces não só pela sua natural doçura, banquete de luxo para assanhaços e sabiás, mas especialmente pela geleia em que as mãos de fada da Conceição transformam tão aveludados bagos
E para encerrar 2011 e dar as boas-vindas ao neófito 2012 nada melhor do que um peru servido com chutney de uvas, maravilhosa receita da dupla "caipira" Clarissa e Candice provando as mil e uma utilidades da produção de nossa parreira.
Que Baco nos embale em 2012