sábado, 31 de dezembro de 2011


...............O passado para recordar,o presente para viver,o futuro para recear.

(SARAMAGO, 2011, p.47

SARAMAGO, José. Claraboia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.


Poema Pial

Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.

Pia número Um
Para quem mexe as orelhas em jejum.

Pia númeo Dois,
Para quem bebe bifes de bois.

Pia número Três,
Para quem espirra só meia vez.

Pia número Quatro,
Para quem manda as ventas ao teatro.

Pia número Cinco,
Para quem come a chave do trinco.

Pia número Seis,
Para quem se penteia com bolos-reis

Pia número Sete,
Para quem canta até que o telhado se derrete.

Pia número Oito,
Para quem parte nozes quando é afoito.

Pia número Nove,
Para quem se parece com uma couve.

Pia número Dez,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.

E, como as mãos já estão frias,
Tampa as pias.


Pessoa, 1987 p. 598

PESSOA, Fernando Poema Pial /Obra Poética Rio Janeiro Nova Aguilar 1987






Prosas Quase Bárbaras

Aqui publicarei uma série de trechos das minhas leituras de textos da literatura lusitana.